sábado, 18 de março de 2017

18 de março de 2017. O que nos move é a paixão...

Dia de sábado chuvoso e pensei: Será que teremos quórum para uma remada? A estiagem nos trouxe os oito remadores de um agendamento de nove. Somados à nós vieram mais cinco do Brava'a. Belo encontro!



Nenhuma gota de chuva e fomos misturados até a Praia Vermelha em um mar liso que foi nosso colchão de água em frente ao Cristo Redentor. Mergulho delicioso no meio de amigos, conversas e beiradas.
E pelo caminho fomos encontrando muita gente querida dos diversos clubes, Rio Va'a, Praia Vermelha Va'a, Moai Va'a, Carioca Va'a. Lindo ver o mar repleto e colorido de remadores.
Em tanto tempo de va'a, vivo novamente o que senti ao sentar pela primeira vez em uma canoa, o espírito do agregar, do compartir. Me sinto voltar à essência do esporte que foi o que me atraiu para as beiradas.






Novos remadores misturados com antigos e um mesmo objetivo, navegar.
Parece que a natureza converge para a mesma energia e nos apresenta um dia cinza, sem calor e sem chuva e com um mar na Praia Vermelha verde cristalino. Apenas perto do Forte Lage um canal de óleo de algum barco ou navio que navega por essas águas jogando equívocos e descasos sobre a nossa baía de Guanabara.
Mas já chegando na praia do flamengo, ali colado na Marina da Glória, águas transparentes e convidativas. É incrível como esta prainha que antes me parecia tão esquecida e maltratada se revela como o melhor point da zona sul para um mergulho. Areias limpas, apenas com um outro lixo abandonado e vazia de gente.
Desembarque em equipe, equipe única chamada va'a, e depois um café compartilhado na barraca do Júlio me aponta o caminho. Caminho de luz!











quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Caminho de luz 19/01/2017 VagaLume Va'a

Esta vida é mesmo um cipó, onde volta agarrado na ponta voadora o mesmo que foi. A própria vida e seus acontecimentos são prova disso, basta ter sensibilidade para perceber.
Abro aqui um espaço para não falar do mar mas sim de um acontecimento das beiradas, logicamente que se originou de um encontro de remada.
Todas as terças e quintas de 18 às 20 horas entramos no mar eu e Giselle com uma turma de remadores que gostam de colocar o sol para dormir. Nos reunimos no final da praia do Flamengo e remamos para qualquer mar em que possamos mergulhar e trocar nossas experiências de vida.
Hoje teve reunião, hoje teve trocas, mas hoje não houve canoa no mar. Nosso destino foi mais longe do que a praia Vermelha. Fomos até o Leblon.
Enquanto decidíamos no gramado se embarcaríamos em meio da previsão de pancadas de chuva, raios e trovões, tão bem diagnosticada pela nossa remadora Aline, veio em nossa direção um senhor meio cambaleante e exalando cheiro de alcool. Não sei porque o vi vindo de longe e não pensei que seríamos importunados ou tive qualquer receio da aproximação.
O sorriso tímido, franco e divertido me explicou a minha tranquila recepção. Curiosamente, nem Ulysses, as Giselles ou Aline demonstraram qualquer fastio ou preocupação com a aproximação.
José Carlos de Lima, com o tempo descobrimos o nome. Foi o suficiente para Giselle reconhecer um provável parente da Paraíba, já que o estado de origem era a mesma de um de seus pais e o sobrenome idêntico. Ao dizer o nome da cidade Aline disse ter as raízes no mesmo lugar. Pronto! Aline e Giselle também seriam parentes! E vamos todos parar na mesma conclusão que no fim todo mundo vem do mesmo lugar... e também vai para o mesmo lugar.
Daí percebermos que um senhor embriagado pode ser um bêbado largado ou apenas um senhor embriagado, tudo depende de seu ponto de vista... e de sua sensibilidade.
Pedimos para bater uma foto para registrar o que teria sido nossa remada do dia e foi o suficiente para aquele homem pedir para que enviássemos a foto para seu irmão. Da Paraíba? Não, ele mora em Campo Grande. Descobrimos assim que o homem perambulava no Rio há trinta dias, por aí... e falava do irmão e da família com uma sensibilidade tal que vimos de cara não ser um bêbado simplesmente.



Não passaram alguns minutos e o telefone da Aline, que havia enviado a foto, tocou. Do outro lado da linha um irmão emocionado que esperava a visita do José Carlos há meses e sequer recebia notícias. O queria. Morria de preocupação.
Dali pra frente foi uma série de trocas de mensagens para aprender como enviar um irmão para o outro. Chegamos a cogitar em levá-lo de carro à Campo Grande. Mas por fim, entramos no carro com José Carlos e o levamos até o metrô do Leblon para de lá embarcar até o BRT na Barra e por fim Campo Grande! Tudo explicado num papelzinho!



No caminho fomos descobrindo com olhos marejados toda a poesia de José Carlos, fã de forró, Alceu Valença, Dominguinhos, manteiga de garrafa, onze filhos, esposa, irmãos especialíssimos pelas suas próprias palavras. O doido da família era só ele, dizia. Mas como em toda família, os doidos me parecem os mais autênticos e sensíveis.
Embarcamos José Carlos no Leblon e voltamos com o coração aliviado pelo expectativa do encontro mas apreensivo pela futura falta de notícias caso este se desviasse novamente do caminho. Afinal o irmão pagaria toda a despesa se o levássemos lá.
Passadas duas horas, uma mensagem de voz no celular da Aline emocionou a todos. Um agradecimento sincero de um irmão, anexado a uma foto de José Carlos sentado num humilde sofá, que certamente era o sofá de seu irmão muito rico, segundo dizia ele.



Não reproduzirei tudo que ouvi mas algumas palavras grudaram em mim: "após os quarenta não se pode errar, talvez encontremos pessoas boas mas essas são cada vez mais raras. O tempo vai ficando curto"... mais ou menos isso.
Essas palavras eram como uma tradução ao que havia falado para as meninas. No metrô nenhuma pessoa deu muita atenção à Giselle quando ela apresentou José Carlos e pediu auxílio para que o guiassem até o BRT, apenas o faxineiro do metrô. Também pudera, era só mais um bêbado de rua desta cidade.
Pois é isso mesmo que dizia no carro para as meninas: a bebida, as drogas, o abandono das ruas transformam o ser humano e poucas pessoas conseguem enxergar o que poderia ser uma bela história.




VagaLume Va'a. Onda iluminada. Para iluminar os caminhos. Os encontros, a transformação de um movimento em outro... nada é por acaso. Tenho reunido pessoas que a cada instante se revelam e me surpreendem. Não é à tôa, até porque esta vida é um cipó!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Dingle bell rock!

Hoje tive a certeza de que navegar é preciso e para navegar... embarcações. 
Para que tanta canoa? Ouvi esta pergunta a cada canoa que comprei, adotei, ganhei, dei. Hoje fiquei extremamente feliz em ver quase toda a frota na água. Faltou Juju, faltou Maia, faltou Nalo, e faltou sobre elas um tanto de outras amigas! Mas as que vieram ... vieram com a melhor energia que poderia querer. Amigas queridas de tanto caminho junto e com tanto caminho ainda a percorrer. Dentro e fora das águas.
Não cansava de cantar o dingle bell rock, tamanha a felicidade. Algumas encheram o saco, mas com creteza a musiquinha não sairá tão cedo da cabeça delas. Afinal, é natal!

Partimos do Guanabara com a ajuda dos meninos da náutica Adriano e Lucas. Rampa mais uma vez quebrada e apesar de tanta energia boa não podemos deixar de ver a realidade negra e suja da nossa cidade. O Banana Podre que desagua ali ao lado não perdoa o espírito natalino. Nossos queridos governantes, se em época de gestão nada fizeram, imagina agora na transição de cargos? Mas essa é uma outra história que durou apenas até o Cara de Cão.

Dali pra frente, depois de uma pausa para fotos, o mar se estendeu liso e menos sujo. as águas ficaram mais geladas e possibilitaram um mergulho na praia de Fora regada a muita conversa e gargalhada.
O mar estava tão colado, tão asfáltico, que mesmo com a rebelde Rubi pude mariscar os costões e brincar de fugir da corrente que me jogava levemente para eles. Navegar em mar assim nos faz brincar com a v1, hora de fazer as pazes, limpar as dúvidas da existência da troca de comando e de testar novos movimentos.

Saimos às seis da manhã e às oito e meia já estávamos de volta. Dia gostoso de navegar, dia de reencontros e de apostar em dias tais como este no ano que vem, no outro que vem, no outro, no outro... dingle bell, dingle bell, dingle bell rock, dingle bell rock, dingle bell rock!

Daqui a pouco virão as fotos...

sábado, 17 de dezembro de 2016

Vamos falar de v1?

Há 12 anos comecei no va'a. Paixão à primeira vista, como acontece com quase tudo o que amo. Logo quis ter minha primeira canoa, logo quis ter uma canoa dupla, logo quis ter uma canoa para quatro pessoas e depois uma canoa para seis. Re-união. Amigos, Isso me leva a querer bancos sobre o mar!










Mas eis que há alguns anos experimentei uma v1. Como foi difícil convencer aquela embarcação que eu queria traçar rotas, que eu queria mariscar pedras, que eu queria enfrentar ventos! Até hoje fazemos pactos, ali não mando nada, apenas desejo, sugiro e espero pacientemente ela me atender.
Rubi me foi dada de presente por minha irmã Cecília há quase quatro anos e de lá para cá enfrentamos mares tranquilos e outros nem tanto.
Quem senta em uma v1 vai saber do que estou falando. Não há leme, não há nada o que fazer a não ser remar e direcionar nossa rota com o próprio remo. Ah, isso se a corrente e o vento deixarem.
Falando assim vocês podem me perguntar qual o prazer em navegar em uma canoa tão independente e sujeita às condições de tempo e mar? Digo sem pestanejar que este vestido não me aperta. Rasga, estica, encolhe, relaxa... mas me veste.
Para começar não é uma embarcação sit on top que fico me equilibrando sobre ela e sobre o mar. Entro, me encaixo naquele ninho e deslizo na linha d'água ouvindo o mar raspando do lado de fora quase no nível de meu assento. É uma puxada de mar e um deslizar quando o mar se estende brigadeiro. É uma puxada de mar e uma descida desenfreada quando o mar transformado em onda me coloca ladeira abaixo. É uma puxada de mar e uma guinada para onde não quero ir quando a corrente vem me convencer que terei que permanecer indefinidamente remando de um lado só.









Isso é uma v1, o imprevisível, o imponderável, o prazer quase que indescritível quando conseguimos fazer pactos... eu, ela e o mar.
Salve Rubi!







quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

07 de dezembro de 2016. Gente nova que chega, gente antiga que volta...

Hoje o dia amanheceu vermelho para logo depois virara azul celestial. Ou azul mar´timo. Tudo estava lindo. A Baía estava deslumbrante e mais calma ainda do que antes. Na primeira turma montamos um catamarã com 12 remadores e mais uma canoa com seis. Gustavo voltando, Eduardo voltando, Patrick e Adriano chegando... a canoa tem dessas coisas, um rodízio de gente que movimenta o presente. Nada igual, nem os dias, nem as beiradas, nem as pessoas. Isso é mágico. 
Gosto das pessoas que fotografam, principalmente quando não detém o olhar só no visor e amplia para o universo. Aproveito a Verinha e os poucos e suficientes momentos registrados para mostrar que não minto quanto às cores e à calmaria do mar. Obrigada Vera!






Na segunda saída de 7:30 o pessoal de sempre e mais a Mariana que marcou a saída inicial hoje e errou de praia. Perdeu a primeira saída. Voltar? Não. Vou no castelo e vem nos seguindo Giselle e Martinha de individual. Assim acomodamos todas as bundas. Onde há bunda não há falta. Onde abunda não falta! O melhor foi na volta ela maravilhada me dizer que ganhei uma remadora, tanto pelo deslumbre da paisagem quanto pela energia. Pois te digo Mariana, o entorno me energiza e vice versa. Somos parte do universo. Não é a tôa que fomos bombardeadas por vôos de gaivotas para todos os lados, hoje o tráfego aéreo estava intenso!










As saídas de individuais também servem para a evolução dos remadores. Fazemos um rodízio para que todos possam sentir o mar diretamente com cada remar. Remar em grupo é bom, remar solo também. Perguntem a quem foi...











terça-feira, 6 de dezembro de 2016

06 de dezembro de 2016. Em algum lugar... ondas de dois metros!

Hoje por muito pouco deixamos de ver o azul absurdo sobre as águas negras abissais da baía de Guanabara. Preguiça, fadiga, vontade amarrada no lençol... seja lá o que foi, não vingou!




Não olhei a previsão e lá na areia de novo a história de ondas de 2.0 pelas beiradas. 2.0 foi o motor turbinado da nossa canoa! O mar era um tapete de asfalto que só desfigurou no redor do Lage, ainda assim num balanço de berço que nem acorda criança. Singramos bem o mar em uma média de 10.2 km/h. Calculo que o trajeto Urca-aeroporto-Urca contornando o Forte Lage deu uns 8 kms, nada que o olhar não alcance.
Hoje não vou de muitas palavras até porque as imagens as abafariam... sendo assim, bom dia!




















Aqui era para ser o fim da postagem de uma matéria que escrevi enquanto aguardava minha mãe em sua aula de filosofia. Peguei o caminho da orla para voltarmos e voilá! Lá estavam as tais ondas de 2.0 e um vento sudoeste que retesava as bandeiras. Será outra cidade? Não. Ipanema, Rio de Janeiro. Mas o vento que venta lá não venta cá e as correntes podem transformar uma previsão de wind guru numa provável farsa. A previsão não errou, apenas dependendo do vento e da direção da ondulação,,, a onda que bate lá não bate cá! E nem em Copacabana!